Em 2025 Retornando as pesquisas Genealógicas da família BENNEMANN, agora utilizando o site https://www.familysearch.org/
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Blog dedicado a divulgação de informações históricas e genealógicas da família Bennemann.
Itapiranga/SC - 1937

Mais uma foto que recebi da Sra. Araci Isabel de Cunha Porã, filha de Jacob Helmut Bennemann. Obrigado Sra. Araci!
Da esquerda para direita - Helmuth Jacob Bennemann e vizinho na construção de uma lancha em Itapiranga/SC - No verso está escrito o nome de Otília Hurmer e a data 03/10/1937.
NOTA DE FALECIMENTO
A todos os familiares distantes, amigos e conhecidos, comunicamos a notícia de que foi da vontade de Deus amado chamar para a eternidade nosso bom pai, avô e irmão
Luiz Bennemann
provido dos consolos da nossa sagrada religião, em Estrela, no dia 31 de março do corrente ano, às 17h30min. Ele já sofria de arteriosclerose há bastante tempo e um resfriado1, aliado a uma doença cardíaca provocou a morte precoce. Ele alcançou a idade de um pouco mais de 56 anos. No primeiro matrimônio com Carolina nascida Hauschild, que o precedeu na morte, ele teve 10 filhos, um deles já falecido, e 7 netos. Em seu segundo matrimônio, ele foi casado com Siloca Fluck, que também faleceu antes dele. Ele deu várias contribuições para a escola e para a igreja, que Deus recompensará.
Manifestamos nosso sincero agradecimento ao reverendo capelão Sr. Pedro Hillesheim pelo seu apoio espiritual e pelas palavras junto ao túmulo, ao Sr. Dr. Viana e ao Dr. Snel pelo seu empenho, ao Sr. Albert Dexheimer, ao coral Cecília de Estrela e a todos os que prestaram suas últimas homenagens à querida falecida.
Lageado, maio de 1935
Em nome dos enlutados
Emilia Bennemann
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Comunicamos aos nossos amigos e conhecidos distantes a triste notícia que foi da vontade do amado Deus chamar a Si o nosso querido pai, avô e bisavô
Heinrich Bennemann
No dia 31 de julho, às 09 horas da manhã. Ele faleceu aos 82 anos, 2 meses e 5 dias, preparado pelo recebimento dos sagrados sacramentos de extrema unção. Ele nasceu em Südlohn, distrito de Münster e mudou-se para o Brasil em 1859, juntamente com sua esposa Elisabetha Brunz – que faleceu 28 anos antes dele – e seus 7 filhos, onde morou durante todos estes anos na Linha Francesa. Todos os moradores daqui sabem das doações que ele fez para a capela local e das demais obras beneficentes que ele financiou. O quanto ele era considerado entre a vizinhança desta Picada, isso ficou bem claro pelo grande cortejo fúnebre.
O falecido deixa 6 filhos, 38 netos e 2 bisnetos.
A todos os que estiveram ao nosso lado durante o velório do falecido, auxiliando e consolando, e àqueles que lhe prestaram as últimas homenagens, manifestamos nossa gratidão e encomendamos a alma do falecido às orações dos fiéis para que ela descanse em paz.
Linha Francesa, 03 de agosto de 1893
Em nome do todos os parentes
Hubert Bennemann


Os primeiros tempos da comunidade católica de Linha Francesa
Frente a esta necessidade reuniram-se seis homens convictos e perseverantes, formando uma comissão que partiu para São José do Hortêncio (Portugieserschneis), que na época era sede paroquial de Linha Francesa, no intuito de pleitear junto ao Padre Michael Kellner e Padre Agostinho Sedlak a necessidade da criação de uma comunidade com uma Igreja e escola maiores para acomodar os moradores. Os padres foram incumbidos de levar a solicitação até o bispo Dom Sebastião Laranjeiras, em Porto Alegre. Esta comissão era formada pelos seguintes membros; Georg Bieger, Cristof Lunkes, Martin Bourscheid, Jochan Schmatz, Nikla Wilgenn, Adolf Kercher. Tendo em vista a boa receptividade dos sacerdotes, o pedido foi, prontamente, encaminhado ao bispo, contanto que a comissão se comprometesse a permanecer com a língua alemã. Solicitação essa, feita pelos padres Kellner e Sedlak. Assim, a comissão retomou feliz e esperançosa na concretização de sua solicitação.
A criação de uma comunidade não foi algo tão simples, levando em consideração que havia vários cemitérios espalhados nas proximidades. Citando alguns: próximo ã escola do Bambusberg, nas terras do imigrante Martin Bourscheid, um nas terras de Celestino Werner, um na Linha Wílmsen6. Após longas discussões, acabou se decidindo pelas terras do imigrante Deodoro Bourscheid, irmão de Martin, levando em consideração que o galpão do imigrante7 e a escola se localizavam em suas terras, O bispo, posto a par da situação, recorreu junto ao império à doação de
Alguns meses depois, em principio de setembro de 1863, o bispo Com Sebastião Laranjeiras, envia como representante seu, o Padre Michel Kellner para visitar em missão a colónia de Winterschneis e a colónia de Montravel (também conhecida como colonia de Nossa Senhora da Soledade). Nesta ocasião é oficializada a criação da comunidade Linha Francesa.
Na mesma ocasião, o Padre Kellner convocou todos os moradores da região a se fazerem presentes para uma reunião no Galpão do Imigrante. Era dia 08 de setembro de 1863. A pauta da reunião era sucinta e pontual. Foi colocado pelo padre que a escolha das terras não teve nenhuma influência de moradores a fim de não gerar conflitos. Para isto foi solicitada a doação das terras ao Governo Imperial. Após algumas alterações de ânimos, a calma reinou na reunião e todos acabaram acatando com a decisão do bispo. Na ocasião também foi decidido e oficializado o terreno para a construção da escola, da igreja e da casa da comunidade. Ainda na mesma reunião foi eleita a primeira diretoria, bem como a padroeira da comunidade. Em relação à padroeira, o Padre Kellner sugeriu que fosse Nossa Senhora da Natividade, já que o dia dedicado a ela é 08 de setembro (data da reunião). Alguns moradores sugeriram Nossa Senhora da Soledade, padroeira dos imigrantes. Feita a votação, venceu a sugestão do sacerdote e a padroeira ficou Nossa Senhora da Natividade, honrada até hoje na paroquia corn o mesmo nome, situada no mesmo local decidido nesta reunião, em 1863.
6 Onde atualmenle se localizam os aviários Stein
7 Galpão onde se abrigavam os imigrantes que chegavam até Linha Francesa e arredores até construírem um lar improvisado no seu lote de terras. Esse galpão foi desfeito após o término da imigração.
A diretoria, eleita nessa reunião, teve como membros Heinrich Bennemann, como presidente (fabriqueiro), Martin Bourscheid, Nickla Wilgen, Filip Joseph Habitzreuter, Benart Leehne e Peter Guth. Creio ser importante para os leitores, relatar as pessoas que se fizeram presentes nesta reunião, visto que todos os presentes eram imigrantes alemães. Seus descendentes provavelmente ainda residem na circunvizinhança de Linha Francesa. Abaixo vai a relação na integra:
- Adolf Kercher - Ludwig Paulvelz
-Teodoro Bourscheid - Johann Engelmann
-Peter Guth - Sebastian Bohn
-Heinrich Bennemann - Adam Erthal
-Miguel Fussinger - Peter Panlus
-Tomas Eberth - Amandius Hammerding
-Amadeus Schãfer - Alberto Riffel
-Peter Fussinger - Johann Peter Striedcr
-Miguel Fussinger Filho - Johann Wenning
-Johann Schmatz - luí Maximilianus
-Professor Georg Bieger - Justus Groth
-Jacob Erthal - Martin Bourscheid
-João Dierings - Peter Antes
-Johann Pilzer - Mathias Muller
-Hermann Hunnoff - Johann Schmenker
-Nikla Wilgen - Constantin Heinzmann
-Jacob Kemper - Wilhelm Meier
-Cari Eugenius Arthus - Cristow Lunkes
-Peter Puni
Vale lembrar que estes foram os que assinaram a ata da reunião. Acredita-se que havia mais pessoas presentes que não assinaram a ata.
Como toda e qualquer decisão precisava da aprovação da maioria dos moradores e o aval do representante do bispo, ainda no ano de 1863 foi iniciada a obra de fundação da comunidade, iniciando com a construção da igreja. Porém, antes de qualquer coisa, era necessário derrubar o mato. Com a união dos moradores, em pouco tempo o terreno estava pronto para as construções. Havia, no entanto, um fator que dificultava bastante o inicio das obras. Eram os enormes tocos de árvores e as pedras.
Com muito sacrifício, os restos de troncos foram removidos e as pedras furadas. Sobre as pedras, é possível ainda hoje, ver as sobras de pedra lascada na lateral esquerda da igreja. Tudo era muito mais sacrificante, levando em consideração as ferramentas escassas c a tecnologia não muito moderna, mas nada superava a boa vontade dos moradores. Assim, aos poucos, foi surgindo o fundamento do prédio que viria a ser a igreja Nossa Senhora da Natividade. Vale lembrar que a igreja foi construída com pedras naturais, catadas nos arredores da construção, numa enorme rocha que foi desfragmentada, facilitando em muito a junção das pedras. Toda areia consumida foi trazida de Santa Terezinha, Bom Principio, no lombo de cavalos, assim como os demais materiais necessários para a edificação do prédio. Para quem conhece esse trajeto sabe o quanto é íngreme e difícil a subida do morro. Não é raro ver ônibus e caminhões subindo em marcha lenta, devido sua inclinação. Imaginemos pois,
quão sofrido deveria ser para os animais e moradores essa jornada. Cada pedra era encaixada perfeitamente, a fim de não haver risco de a construção ser comprometida. A madeira foi selecionada no mato e cunhada de modo que se transformasse em peças de perfeito encaixe.
A torre foi edificada em madeira, com cobertura de zinco e bem ao alto, posava um galo de cobre que ainda hoje é possível ser visto, não no alto da torre mas no jardim da casa paroquial. O forro interior foi construído com fibras de palmeira, taquaras e cipós, minuciosamente selecionadas a fim de formarem uma bela e retilínea tela. Depois de acertado o formato básico, foi feita a cobertura com fibras de capim e argila muito bem amassada. Por fim, aplicou-se uma camada de argila, areia, cal virgem, cimento e, pasmem, geléia de cacto, formando uma liga maleável e resistente, tão resistente que está lá ate hoje durando mais de 140 anos.
A descrição do processo construtivo da Igreja Nossa Senhora da Natividade nos faz refletir o sacrifício de muitas pessoas no intuito de terem um bem comum. Um lugar de referência onde pudessem se reunir e celebrar a vida e a religiosidade. Em tempos contemporâneos, onde o que vale é o cada um por si e Deus por todos é importante pararmos para reflelir sobre as lições que nossos antepassados nos ensinaram e que acabamos esquecendo ao longo das gerações.
Com a ideia de que a união faz a força a igreja foi edificada com pouca ajuda do governo e muito suor e o máximo de dinheiro dos moradores. A arrecadação do dinheiro ficou a encargo de Georg Bieger e Johann Schmartz que coletaram juntos 122.520 réis e Martin Bourscheid e Níkla Wilgenn, que coletaram 100.520 réis. Heinrich Niestegen era o construtor responsável e Joseph Kemper, auxiliar permanente. Foram trabalhados de graça um total de l .280 dias e 700 pagos.
Com a visível evolução das obras, despertou nos moradores a vontade de tornar o templo bem bonito e ornado. Para isso se fazia necessária à aquisição dos objetos básicos para celebração da santa missa e os demais utensílios de ornamentação. Para que isso se tomasse viável a comunidade foi, mais uma vez, convidada a se mobilizar. E não faltaram contribuintes. Abaixo vai uma relação de que se tem conhecimento, de imigrantes que deram sua contribuição ao longo da construção da igreja. Mais urna vez ressalto da importância de citar nomes para que pessoas moradoras ou oriundas dessa região possam se identificar com o sobrenome:
Magdalena Künzel - um pequeno sino colocado na primeira torre e -mais tarde doado para
Linha Francesa Baixa, quatro paramentos, uma toalha para o altar e o quadro de Maria
Geburth (Nossa Senhora da Natividade).
Johann Schmartz - uma toalha e um crucifixo para o altar.
Michel Fussinger - um tabernáculo antigo e de madeira.
Heinrich Bennemann - uma bandeira preta.
Heinrích Bennemann e Joseph Kemper - o confessionário.
A esposa de Cornélios Hammerding doou uma bandeira branca.
Família Grest - uma bandeira azul.
Sebastian Bohn, Armandus Schaefer e Thomas Ebert - uma bandeira vermelha.
Michael Fussinger - 5.000 réis para comprar zinco para a torre.
Heinrich Engelmann - 10,000 réis para pintura da torre.
Jacob Engelmann - 4.000 réis para uma pintura especial da ponta da torre.
Heinrich Bennemann - 4.000 réis para aquisição de bleiveiss (Massa para afixar vidros).
Johann Schmatz e Georg Bieger -
Michel Fussinger- 3.000 réis para mão-de-obra.
Joseph Kemper, Karl Philiph Erthal, Rochus Erthal e Peter Guth - os utensílios necessários
para os atos fúnebres e enterros.
Sebastião Bohn e Johann Schmatz - a pedra do altar onde é feita a consagração do pão e
vinho.
Heinrich Schaefer - um cálice.
Johann Schmatz, Peter Auth e Martin Bourscheid - cómoda com gavetas para a sacristia.
Magdalena Kiinzel - uma sineta colocada na entrada da sacristia.
Heinrich Bennemann e seu filho Hubert (ainda adolescente) deram o altar para o primeiro templo (igreja). Hubert era conhecido como Meermann¹, por ter nascido no mar ao vir pro Brasil, O altar era todo de cedro e trabalhado a mão.
Com o término das obras da igreja, iniciou-se a construção de uma casa para a comunidade (também nos moldes antigos) a fim de servir de moradia para o professor e paradeiro dos padres que vinham celebrar a missa. Esta casa permaneceu até a década de 1950, quando foi substituída pela atual casa paroquial.

"Na Linha Franceza Alta moraram mais Famílias, cujos nome me são desconhecidos. Assim o sinal indica uma terra de apenas 12 hectares. No começo pertenciam a Hubertus Benemann, que as vendeu ao imigrante Artus – bisavô de Claudio e Lourenço Artus. A Família Artus queria outras terras, melhores e maiores. Mas não foi preciso mudar. Em 1890 foram morar na Linha Franceza Baixa.
+ Sinal da Igreja. Os colonos receberam do governo imperial ou da Companhia Montravel 12 hectares de terra, para ali instalarem a futura paróquia. Isto aconteceu verdadeiramente 100 anos depois, em 1963.
Linha Franceza é um morro comprido e muito acidentado. Os agrimensores, isto é, o imigrante Ten Caten, juntamente com um agrimensor tirolês – o velho Andrioli – bisavô de Albino Andrioli, e um agrimensor vindo da (p.92) Holanda (por essa razão há uma pequena colônia Holandesa na Linha Franceza), cujo nome não pude identificar, fizeram uma obra perfeita, distribuindo as terras.
Naquele tempo, Barão e Salvador, etc. etc. estavam cobertos de densa mata virgem. Havia muitos animais selvagens e bravios, mas o mais temido era o índio. Os agrimensores usavam muitos homens, escravos e livres como batedores. Enquanto mediam as terras em lotes de 48 há, os batedores faziam grandes fogueiras, atravessavam a mata de ponta a ponta, dando tiros à toa, e matando quando era necessário. Isto foi em 1855, antes da chegada dos imigrantes."
Obrigado Benno pela importante ajuda;
lbennemann@gmail.com